segunda-feira, 14 de abril de 2008

REVOLTA DOS ESCRAVOS AFRICANOS

REVOLTA DOS ESCRAVOS AFRICANOS
NO SERTÃO DAS CARRANCAS



Desde os primeiros bandeirantes que estiveram na região do sertão, a presença de escravos era constante, principalmente indígena, pois eles sabiam enfrentar fome, eram habilidosos na caça e também na pesca.
Logo a escravidão indígena foi diminuindo e passou a se escravizar africanos, pois eram mais fortes e resistentes para o trabalho forçado.
A fuga de escravos começou a partir do século XVII em todo o Brasil. Os fugitivos montavam acampamentos nos matos, longe das vilas dos brancos, chamados de quilombo, que quer dizer (refúgio, abrigo).

No sertão das Carrancas existia um quilombo, ficava na região que hoje seria Madre Deus de Minas e São João Del’ Rei, perto do Rio das Mortes onde aconteceu a guerra dos Emboabas.
Essa fuga para o quilombo, vinha acontecendo desde os princípios do século XVIII, e contava com mais de 4000 quilombolas.
Bartolomeu Bueno do Prado foi enviado pelo império português com um exército de mais de 1000 homens fortemente armados, a missão era destruir completamente o quilombo e matar todos, para que servisse de lição para os outros escravos.
O exército cercou o quilombo, a guerra foi cruel e desumana, de um lado os quilombolas com lanças de madeira e pedras nas mãos, do outro, cavalaria fortemente armada com espadas e garruchas.
Não demorou muito e Bartolomeu conseguiu vencer a resistência, voltou para Vila Rica com o dever cumprido e com 3900 orelhas cortadas. Nota-se que na época era comum o vencedor cortar a orelha vítima, servia como um troféu e para comprovar a vitória. Januário Garcia na sua vingança seguiu o mesmo exemplo que Bartolomeu.
O quilombo do Rio das Mortes foi destruído em 1751, 82 anos mais tarde o sertão das Carrancas iria enfrentar um novo conflito entre escravos e seus Senhores, que ficaria conhecido como Revolta de Carrancas (1833).
Já no começo do século XIX os escravos africanos começaram a se rebelarem contra seus donos, na maioria fazendeiros. Essa revolta seria a mais sangrenta do Sudeste do Império, como falou Marcos Ferreira de Andrade.
A revolta durou muitos anos, escravos faziam emboscadas nas estradas e roças para matarem seus donos e familiares.
O sonho de liberdade mais a sede de vingança dos maus tratos sofridos desencadearam uma rebelião que durou toda a primeira metade do século XIX.
Em Carrancas são diversos casos de famílias que perderam parentes com a revolta. As famílias Teixeira e Andrade tiveram parentes mortos em emboscadas.
Em Cruzília-MG a família Junqueira perdeu vários membros de sua família na fazenda Bela Cruz
Esse fato influenciou revoltas em várias partes de Minas Gerais. E contribuiu para acelerar as leis abolicionistas.
Carrancas como palco da revolta, deixaria o Império assustado com uma revolta em massa.
Francisco Teodoro Teixeira foi um dos que morreram em emboscadas no século XIX. Já ia tranquilamente por uma estrada com seu cavalo. Teve que parar em uma porteira foi quando derrepente saiu do mato vários escravos com pedaços de madeira nas mãos. Foi morto a paulada e sua perna amarrada e estribo do arreio. Os escravos assustaram o cavalo, e esse arrastou Teodoro de volta para a fazenda.

Na fazenda do Leme um dia o senhor dos escravos saiu com eles para capinarem uma roça de milho. O senhor sempre ia prevenido com punhal e arma de fogo. Todos os dias eram a mesma coisa, sentava debaixo de uma árvore e ficava vendo seus homens capinarem no sol. Um belo dia quando estava tranquilamente descansando, o sol estava forte e mormaço escaldante, Deu uma pequena cochilada, acordou com um estalar de madeira, quando abriu os olhos recebeu uma enxadada na cabeça. Foi morto ali mesmo, e os escravos fugiram para a mata, certamente iriam para algum quilombo próximo.

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